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A dona Bia sempre soube, eu sei. Que o mar é amarelo, o céu não tem cor nenhuma e nuvens são sentimentos. A gente pode ver sentimentos, sabia? Era o que dona Bia sempre dizia. Ela ficava olhando lá do alto, sentada em uma cadeira de balanço de madeira antiga, com vime bem trançado, parecia novo. Ela colocava uma toalha por cima pra não marcar as pernas, mesmo que ela não costumasse usar saias. Dona Bia e suas manias. Ela é cortesia em pessoa, não esquece nem um dia de passar uma alegria e uma vontade de estar perto. De falar do tempo, da vida. Eu sabia que me arrependeria, dona Bia. Me desculpe. Ainda posso fazer alguma coisa. Posso te encontrar, dizer que sinto falta de cumprimentá-la, um sorriso que, mesmo quando forçado, fazia bem porque existia. Não tinha escapatória com a dona Bia. Que mal fazia? Tempo é agonia. Não te deixa passar de mão vazia. Vais levar marcas, não é assim que funciona, dona Bia? Antes daqui, o que será que fazias? Me contrarias. Me encontrarias em outros dias? Digo daqueles longe, muito longe no futuro, em outra vida, o que nos guia? Essa inspiração meio estranha, por coisas misturadas e confusas. É sempre importante ter uma dona Bia por perto. Faz refletir, pausa, alivia.

Published at : 06-07-2016
Category : None