Em Apuros

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Eric do Vale


Atrás da minha poltrona, sentava-se um homem, de aproximadamente quarenta anos, que conversava com uma moça. Pelo que pude ouvir, ele dizia que estava achando estranho aquela rota, pois, sendo biólogo, viajava com bastante frequência para aquela região.

O biólogo tornou a falar que tinha alguma coisa errada, mas ninguém deu-lhe atenção. Minutos depois, fomos informados de que o avião encontrava-se fora do percurso previsto.

- Não falei? Eu sabia, eu sabia! _ Pronunciou o biólogo, falando alto.

A aeromoça tentou acalmá-lo alegando que tudo estava sob controle. Ela utilizou esse mesmo argumento, quando, depois de alguns segundos, ficamos sabendo que o avião tinha sofrido uma pane.

-Senhores passageiros, mantenham as poltronas inclinadas, porque vamos fazer um pouso de emergência. _ Comunicou o comandante, naquele momento.

                          ...

Depois que encontrou, pela internet, o caminhão que tanto desejava, não havia nada que o impedisse de fazer a aquisição. Ananias pediu informações ao gerente do hotel, onde estava hospedado, sobre uma cidadezinha do Pará e esse lhe falou:

- É muito longe daqui, doutor.

-Amanhã, precisarei ir até lá. Pelo que verifiquei, o endereço é esse. _ Mostrando-lhe o mapa.

-Doutor, o senhor tem certeza de que é nessa cidade?

-Sim.

O gerente saiu, chamou dois funcionários do hotel e depois, falou:

-Pelo jeito, o senhor não é daqui.

-Não.

-Veio a negócios, certo?

-Isso mesmo.

- Logo vi.

-Querem me explicar, por favor?

-É simples, esse lugar para onde o senhor está querendo ir é totalmente isolado. Acho que não preciso dizer mais nada.

Ananias contrariou os conselhos dos funcionários do hotel, alugou um carro e, no dia seguinte, seguiu viagem. No meio do trajeto, foi parado por uma blitz. O policial, quando viu aquela mala cheia de dinheiro, achou muito estranho e pediu-lhe explicações. Os argumentos de Ananias não foram muito convincentes e por isso, terminou sendo detido.

                           ...

Assim que o avião caiu, perguntei para mim mesmo: “Estou vivo?”. Somente agora, dois dias depois de ser resgatado, tenho a absoluta certeza disso. A única coisa que, naquele momento, todos nós pensávamos em fazer era ligar para os nossos familiares avisando sobre o que tinha acontecido, garantindo-lhes que estava tudo bem.

Era impossível acessar a internet ou dar algum telefonema, porque estávamos em um local muito ermo e além disso, a maioria dos aparelhos celulares haviam sido danificados, em virtude do impacto da queda.

O Ananias, naquela altura do campeonato, deve estar subindo pelas paredes. Eu não queria estar na pele dele e tenho certeza de que, quando souber o que houve comigo, também não gostaria de estar no meu lugar. Logo que fui resgatado, pensei: “Tenho que entrar em contato com o Ananias, o mais rápido possível.”.

Como foi que o Ananias se envolveu nessa confusão? Justo ele, um negociante tarimbado! Pelo menos, o Ananias tem bons antecedentes e, graças a Deus, poderei provar isso. Afinal de contas, esse é o meu dever de advogado

Published at : 22-07-2016
Category : Short story