Explosão.

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Explosão.

Qual é a primeira imagem que lhe vem à cabeça quando ouve essa palavra?

Explosão.

À minha, me vejo. Enxergo cada expressão serena que possui um único resultado.

Explosão?

Sim.

No entanto, esta não é ruidosa. Quer dizer, antes que se torne ruidosa, expansiva, age de forma cruel no mais íntimo de minha sanidade. Corrói. Destrói. Explode.

Age silenciosamente, aproveitando-se do tumulto e confusão que é a mente de um pisciano. Confunde. Exagera.

Exagera?

Ouço recorrentemente essa palavra, e devo dar a ela a atenção especial que merece. Exagera em quê? Exagera o quê? De fato, exagera?

Discordo. Não exagera. Na confusão de uma mente que vive inquieta, de um coração que jamais se acalma, de uma alma que necessita de cada vez mais para se manter viva, não exagera.

Eu sinto demais. Eu sinto muito. E de forma alguma espero que os outros compreendam minha incompreensível condição de existência, se eu mesma busco todo dia me entender um pouco mais.

Penso, logo existo? Não. Sinto, logo existo. Acredito que essa seja a melhor maneira de traduzir, de forma sucinta, a beleza de ser esse turbilhão de emoções. O contrário também é válido: existo, logo sinto. Inclusive, o acho mais emblemático que o primeiro.

E essa é a maneira como eu sei lidar com os fatos que ocorrem em minha vida - sentindo muito. E não é sentindo muito de pedir desculpas, embora por vezes eu me coloque nessa posição, é sentindo tanto, mas tanto, que por vezes sinto-me sufocada por mim mesma.

Mas eu não posso escapar disso. E não quero escapar disso. É sendo assim que, ao enfrentar situações, reflito sobre a minha própria existência. E, muitas vezes, sou incompreendida.

"Você é exagerada"

"Você tem que aprender a lidar melhor com as coisas"

E eu lido. Lido à minha maneira. Erro e acerto. Choro e morro de dar risada. E esse sentimentalismo exacerbado me leva à explosão. Digo, não é o sentimentalismo exacerbado. O que me leva a ser essa enorme bomba-relógio de emoções, prestes a explodir a qualquer momento, é estar em um mundo onde é inadmissível - ou quase - demonstrar o que se sente na intensidade em que se sente. E, quando o faz: "exagerada".

Deixe que eu sinta. Deixe que eu sofra. Deixe que eu chore. Deixe que eu perca noites acordadas, apenas deixe. Mas deixe também que eu aprenda. Deixe que eu reflita. Permita-me ser eu mesma.

Se me lês e dizes que sou explosão por ser assim, então sou explosão.

O que me consola é ser pisciana e poder viajar em um mundo paralelo onde eu não sou explosiva e nem exagerada. Eu apenas sou.

Published at : 07-08-2016
Category : Poetry and poems