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- Prima-vera

Prima-vera

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Toda vez que eu penso, toda vez que eu lembro... Minha maquina do tempo quebrou, estou impossibilitada de fazer uma viagem ao passado, mas toda vez que eu fecho os olhos, Lá estou. Eu... E você. Correndo sobre um jardim esverdeado num sol ameno de prima-vera, sorrisos estampados e ensolarados. Era nítida nossa alegria de estar juntos, de simplesmente estarmos perto. Meu sol de prima-vera, calmaria do meu outono, aconchego de inverno, euforia do meu verão. Hoje só restam lembranças, doces lembranças que me torturam antes de dormir, que aceleram meu peito numa pulsação errática, cortante.

Não faço ideia de onde você possa estar hoje, com quem você esteja. Lembro da ultima vez que tive noticias sua através de uma amiga nossa em comum, ela disse que você estava noivo de uma mulher encantadora. Que pretendia terminar seu mestrado em São Paulo, lembrei dos nossos planos em ter um casa no litoral paulista, longe do corre da cidade, do barulho do trânsito. Seriamos nós, o barulho das ondas quebrando na praia, vizinhança tranquila, o vento, a natureza... Tudo tão bem desenhado em nossos pensamento... As crianças, meus gatos, seus cachorros. Juro que quando ela me falou isso, fui tomada por esses pensamentos e lutei contra as lagrimas que teimavam em rolar, mas meu orgulho foi mais forte. Você sempre dizia que ele ia acabar me matando lembra? Senti o ar comprimir em meus pulmões e tudo que eu mais quis aquela hora era poder voltar no passado e fazer direito, tudo direito, mas a realidade me esmagou. Sorri resignada e disse que desejava que você fosse feliz- ao menos essa parte não foi mentira, ao contrario, eram meus mais sinceros votos.

Desde os três anos que passaram eu não sei mais de você, por onde se encontra, se realmente foi terminar o mestrado em São Paulo, se ainda está por lá, se adaptou, se de fato casou com a tal mulher dona de um encanto único. Esses dias eu encontrei sua mãe no supermercado, aquele que a gente sempre ia, eu comprava minhas frutas e você os congelados. Entretanto, evitamos falar do seu nome,uma espécie de acordo não dito, sabe? Mas foi muito bom a rever. Ela sempre achou que fossemos casar, e admite... Quem não achava? Éramos eu e você, você e eu... Uma dupla imbatível, melhores amigos, dois bobos que davam risadas a toa até num filme de terror, um casal apaixonado. Até que seu olhar se desencontrou do meu,sua mão largou da minha. Doeu tanto, toda noite antes de dormir eu chorava, soluçava sentindo teu cheiro no meu lençol. Teu livro predileto ainda permanece na minha estante, não te devolvi, pode parecer errado, eu sei. Mas acho que precisei de algo seu para me apegar, para não te deixar partir por completo, assim como você ficou com meu colar de perolas, será que você ainda o guarda? Suspiro aturdida em minhas lembranças vãs e dolorosas. Onde está você meu amor? Sei que bem que tivemos outros amores, mas não, nenhum deles foi igual, não tinha a mesma intensidade, a mesma conexão rara, a mesma simetria inigualável que nós tínhamos, nenhum deles meu preencheu como você fez, embora muitos realmente tenham marcado minha vida, você foi uma tatuagem. Sei que sempre vai estar ali, em mim não importa o tempo que passe, que a intensidade desgaste, a tinta desbote, seu amor ficou gravado em mim. Sinto que fomos destinados a sermos um, talvez não nessa vida, mas quem sabe na próxima nós não dividamos o mesmo céu, juntos a sobrevoar um infinito azul. É meu amor, hoje é prima-vera, e eu ainda te amo.

Published at : 21-08-2016
Category : Short story