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- Elvis Não Morreu

Elvis Não Morreu

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Sem ter e nem pra quê, A Raposa E As Uvas, do Reginaldo Rossi, permeou no meu inconsciente de tal forma, que passei o dia cantarolando. Assim que deparei com uma foto de um casal dançando numa festa, instantaneamente tornei a cantar essa canção.  Formou-se uma roda em torno da pista de dança, onde, comedidamente, arriscávamos uns passos de funk, samba e sei lá o que mais. Elvis estava morto, mas acredito que no momento em que tocou Jaihouse Rock, ele, provavelmente, havia se levantado de sua tumba.

Encontrava-me, agora, no centro da pista, seguindo os passos do Rei do Rock. Um harém, ao meu redor, permitia-me o luxo de escolher quem eu quisesse. Apesar de uma loira haver declinado o convite, não me dei por vencido até que alguém aceitou a minha companhia. Logo, todos arranjaram seus pares e a roda foi desfeita. Com a moça que dançava comigo, eu, até então, não possuía nenhuma intimidade, conforme, futuramente, vim ter, mesmo a conhecendo em outras circunstâncias. Pelo que me constava, ela era casada. Outro motivo pelo qual não me cabia tomar nenhuma liberdade com a sua pessoa, apesar de ela  ser muito bonita. Uma pessoa conhecida do meu trabalho, no dia seguinte, aproximou-se de mim, e falou:

- Dá-lhe Elvis! Ontem você se superou, provando que o Elvis não morreu!

-Que nada.

-Não me venha, agora, com modéstia, porque eu te vi arrasando na pista de dança e quer saber mais?  Observei você todo derretido com aquela moça de vestido azul.  

Tentei disfarçar, mas o meu sorriso foi até as orelhas, quando me lembrei desse fato.  Assim que terminou a dança, eu me dispersei, mas não saí da pista até deparar com essa morena de vestido azul. Nunca a tinha visto antes, por aquelas bandas. Mesmo assim, eu me aproximei dela e,  quando dei por mim, estávamos dançando de rosto colado. Enquanto isso, no trabalho, alguém se aproximou dessa pessoa com quem eu conversava e falou:

-Você viu o desempenho dele, na festa?

- Era exatamente sobre isso que eu estava comentando, com ele. Tá vendo aí? Não foi só eu que prestei atenção, ontem, nos seus passos, Elvis Casanova!

A festa foi o assunto do dia. Na hora do almoço, não se falava de outra coisa. Também compartilhei dessa alegria, mas em silencio pensava naquela morena de azul.  Perdemos a noção da hora dançando de rosto colado. Cheguei em casa, mais de meia-noite, e nem dormi, contemplando o alvorecer.  Agora, aqui estou de frente para o computador vendo essa foto, dançando com ela e penso: “Eu era a raposa, você era as uvas e eu sempre querendo seu beijo roubar”.

 

 

 

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Category : Short story