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- Onde Andará O Vitório?

Onde Andará O Vitório?

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É batata chamar pelo Vitório, sempre que chego. Mesmo quando isso não acontece, lá vem ele para receber um carinho e se esparramar todo no chão. Oh bicho dengoso! Chamo por ele:

-Vitório!Vitório!

Ele não vem, insisto mais duas vezes e nada. Procuro nos cômodos até me convencer de que ele, provavelmente, está no telhado, significando de que só voltará, quando o dia raiar. Porém, no dia seguinte, ele não voltou, a farra deve ter sido grande! Mas ele vai ver só! Quando chegar, vamos ter uma longa conversinha, já chega!  Enquanto eu dou um duro danado, o Vitório passa o dia comendo e dormindo para, de noite, vadiar e fazer serenata para as suas gatinhas. Volto para a casa, chamo por ele e nada. Esse malandro deve estar dormindo. Procuro pelos cômodos, mas não o vejo. Insisto na busca, faltando virar o apartamento de ponta cabeça, e nada dele. Ah Vitório, onde foi que você se meteu?Não deixo de fazer essa pergunta, desde dia em que, sem mais nem menos, ele sumiu aqui de casa sem deixar vestígios. 

Como eu disse, ele deve ter saído pelo telhado, porém há uma segunda hipótese: o Vitório viu a porta aberta e resolveu ganhar o mundo, pois, quando filhote, ele chegou a fazer isso, mas graças a Deus um homem muito honesto o viu perambular pelas ruas, pegou-o e foi procurar o seu dono. Mas, é difícil saber, agora, o que realmente aconteceu. Seria muito fácil afirmar que a culpa foi da empregada, pois ela foi à única pessoa que estava aqui em casa, antes dele sumir misteriosamente. Seria muito fácil responsabilizarmos ela pelo sumiço dele, mas não seria justo acusar alguém assim sem nenhuma prova.  Quem sabe a minha mulher e eu também não tenhamos culpa no cartório? Nós o deixamos muito a vontade. Sem falar que, talvez, um de nós, quando fomos trabalhar, não tenhamos visto ele sair também. Eu já não sei de mais nada.

Anoiteceu, e nada de ele voltar. Passaram-se dois, três dias até fazer uma semana!Ah Vitório!O que é que você foi arranjar? Acordo, de madrugada, bebo um copo d´água e observo a janela, na esperança de vê-lo chegar. Os meus amigos até se mobilizaram nas redes sociais, elaborando campanha: “Ajude a encontrar o Vitório”. Mas, pelo jeito, é mais fácil achar uma agulha no palheiro. Bem que eu gostaria de crer em uma coisa boa, no entanto, nessas alturas, esse malandro deve ter fugido ou então...  Subiu para o telhado e... Não quero nem pensar!

Passados uns  trinta dias, a minha mulher conversando com uma moça, aqui do bairro, sobre o misterioso sumiço do nosso gato. Essa jovem, por sua vez, disse que, há cinco dias, um gato havia chegado à residência, onde ela trabalha, com as mesmas características do Vitório. Não é possível!Seria coincidência demais!Nessas circunstâncias, a minha esposa foi bater nessa casa a fim de tirar a duvida. Lá chegando, o viu muito magro, imundo e com os arranhões no rosto. Atualmente, a dona da casa o havia adotado com o nome de Haroldo. Assim que minha mulher o chamou por Vitório, ele pulou para o colo dela. Eu estava dormindo, quando ela disse:

-Acorda, Germano. Veja só quem está aqui!

Estava completamente extasiado com aquela cena, quando minha mulher me cutucou:

-Acorda, homem.

Levantei, tomei banho, troquei de roupa e fui tomar café pensando que já estávamos há um mês sem o Vitório, como foi que isso ocorreu? E aquele sonho... Por que minha mulher foi me acordar?  Não conseguia pensar em mais nada, quando vejo a minha mulher abrir a geladeira, pegar o leite, colocar no pires e dizer:

-Aqui Vitório!

E lá vem ele, bebe tudo e se deita de pernas para o ar.   

 

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Category : Short story