Um diálogo visionário.

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            A tarde outoniça incitava os desditosos à natural revolta. Mas aqueles que, como Jules, sabiam-se previdentes, organizavam-se nas horas e jamais deixavam a lareira desguarnecida. Assim, a cada vez que retornava ao lar, depois de um dia estafante na Bolsa de Valores, os molhos de lenha crepitante aconchegavam-no em calorosas boas vindas. E tão logo o pai carinhoso ensaiava as primeiras notas de conhecido sibilo, Michel, de apenas dois anos, corria a abraçá-lo em desajeitada e estrepitosa alegria. Não que Honorine, a esposa querida e dedicada, ou as duas enteadas não fossem recepcioná-lo... é que ninguém privaria o caçula de tão significativo reencontro.

            Apesar do júbilo familiar e da ventura artística – e esta crescia geométrica, face ao sucesso galopante de sua veia literária – , Jules encontrava-se abatido, intoxicando-se dia a dia com os eflúvios pestilentos que emanavam do paradoxo a que dera causa. Conflito cruel, tormento involutário... o embate entre o eu criativo e original e o ser visionário pesava-lhe iníquo, impiedoso.

            - Vou deitar-me. – Disse Jules à família, apoiando as mãos nas ombreiras da porta e pondo apenas a cabeça para dentro da sala.

            - Mas não são nem onze horas! – retrucou Honorine – Brincávamos de passa anel. Não quer compartilhar de nossa alegria?

            - Hoje não. Estou cansado. Vou dormir. – E foi à cata dos beijos e às bênçãos de boa noite.

            O aposento do casal ficava no segundo andar, bem em cima da sala onde a família estava reunida, de modo que jamais era esquecido pelo calor que subia pródigo pelo duto da lareira. Nem por isso Jules deixava de acender a salamandra antes de deitar-se. Assim, todo o cômodo ficava aquecido, pois esta jazia na parede oposta à cabeceira, por trás da qual aquele passava. Essa dupla comodidade – de que não compartiam os quartos das crianças – era o que permitia um certo sossego quando o pensamento migrava para o camisão.

            Uma vez coberto, e posta a cabeça sobre o travesseiro, atitude que se fez acompanhar por um longo e revigorante suspiro, Jules até tentou rezar. Mas foi golpeado pelo sono que, providencial, queria trazer-lhe uma surpresa.

- Por que estais assim, caro Jules? Mais um pouco e passareis do estado depressivo ao morboso; e daí ao acamado será uma questão de duas ou três tossidelas.

            - Quem é você? Como entrou aqui?! Ah, devo estar sonhando. Já, já virão um outro lugar, outras pessoas... não me admirarei se encontrar com algum de meus personagens. 

            - É possível... Mas, por agora, seria útil que conversássemos sobre a vossa situação. Pelo que sei, não devíeis estar deprimido. Vossa peça, Palhas quebradas, não foi encenada no Teatro Histórico de Alexandre Dumas, e alcançou grande êxito? Vossas comédias, libretos e outras pequenas histórias não vos entusiasmaram cada vez mais? E, por fim, não é fato que Cinco semanas em um balão faz um sucesso estrondoso aqui na França? Aliás, e pelo que fui informado, seu editor, monsieur Hetzel, está mais do que propenso a firmar convosco um contrato de vinte anos! Não são esses laureis mais do que suficientes para vos alegrardes?

            - De onde conhece Hetzel? E como sabe dessa proposta?! Isso era segredo!

            - Sei de muitas coisas, caro Jules. Mas, já o disse, o que importa no momento é o vosso estado. Por que vos voltastes ao pessimismo? E não adianta quererdes sair deste quarto, ou, como dissestes, achar que ireis ter com um de vossos personagens. Temos uma longa noite pela frente! E isso quer dizer que, se não quiséreis contar-me o que vos aflige, voltarei na noite seguinte. E na seguinte, e na seguinte; até que resolvais abrir-vos para este vosso leitor e admirador.

            - Então gosta do que escrevo. Mas, engraçado, por que se veste dessa maneira tão antiga? – O “intruso” sorria-lhe com a calma dos que já se foram.

            De repente, Jules franziu as sobrancelhas, denotando que a figura com quem falava era-lhe familiar: olhos fixos, penetrantes, sobrancelhas bem delineadas... nariz um tanto pequeno, bigode e barba longos e grisalhos, sendo esta espessa e bipartida ao final; chapéu e vestimenta negros, em que sobressaía o colarinho branco, como em muitas gravuras Renascentistas.

            - Você...? Não pode ser?!

            - E por que não? Não estais sonhando? Podeis, portanto, sonhar com o que quiserdes. – A frase, dizia-a com um toque de brincadeira.

            - Mas?...

            - Ora, caro Jules, não vedes que temos muito em comum? Somos franceses; pelo menos eu era. E escrevemos sobre o futuro, antevendo-o, muitas vezes, com espantosa precisão. Vós, romanceando-os; eu, profetizando-os. E esse “dom” é motivo para vos tornardes deprimido?

            - É que...

            - Calma, que ainda não terminei. – ante o corte que perime, Jules engoliu o contra-argumento e pôs-se a ouvir – Devo confessar, é bem verdade, que por vezes, por várias vezes, meus contemporâneos não me foram justos. Tempos mais que obscuros!... Por exemplo, lembro-me de que após alguns anos como apotecário, ingressei na Universidade de Montpellier para cursar doutorado em medicina. Era um dos meus grandes sonhos! Mas como os estatutos daquela Instituição não permitiam a um boticário exercer a medicina, acabei sendo expulso. Isso me deteve? Claro que não. Voltei aos fármacos e à alquimia, e, para espanto dos próprios catedráticos que me recusaram, fiquei famoso por criar a “Pílula Rosa”, que, por conter altas doses de vitamina C, protegeu muita gente da Peste Negra.

            - Peste Negra?! Mas?... – E a mensagem repreensiva e certeira era repetida com um simples e silencioso olhar. E Jules continuou calado.

- Isso sem contar que fui o primeiro a descrever o ácido benzoico, obtido pela sublimação da goma de benjoim. Mas deixemos desse pormenor – o semblante, mostrava-o com um quê de falsa modéstia – e voltemos aos percalços. Recordo-me, e com mais propriedade, de que mesmo tendo crescido em boa fama com os meus almanaques, que publiquei anualmente e ao longo de uma década, isso não me privou de ser confundido com o próprio demônio e de levar a pecha de herege quando publiquei As profecias. Mesmo assim,  segui adiante. Até porque, foi por causa dessas centúrias que caí nas graças de Catarina de Médicis, do seu esposo, o Rei Henrique II, da França, e dos seus dois filhos, os Reis Francisco II e Carlos IX. Vede, portanto, caro Jules, que se me tivesse deixado enredar por essa disposição de espírito que atualmente vos aflige, jamais teria conseguido cumprir o compromisso que assumira antes de renascer.

Por efeito da pausa que naturalmente se fez, Jules até pensou em retorquir. No entanto, os fatos que acabava de ouvir só confirmavam o que denotara; por isso, desviava-se do assunto e comentava espontâneo:

- Não pode ser!... Fui dormir, estou sonhando e, com tanta gente para encontrar no meu sonho, converso com ninguém menos que Michel de Nostredame!

- Nostradamus, por favor. É pela forma latina que venho perpetuando-me no decorrer da história. – O tom de desarme, expressava-o ao abrir das brechas.

- Como quiser... – e já sorriam – Mas?... Será que o grande Nostradamus, com todo o seu conhecimento sobre astrologia, alquimia, literatura e teologia...

- Vejo que também me conhece. No entanto, quanto a ser teólogo... Bem, há controvérsias.

- Que seja... Mas será que você teria condições de me ajudar com o meu problema?

- Mas é por isso que estou aqui, ao vosso dispor. Para ouvir-vos, para tentar reerguer-vos, pois tendes pela frente uma longa vida. E se isto vos fizerdes sentir melhor, saibais que adentrareis no século XX.

- Não vou negar que sempre nutri uma certa simpatia pelo seu dom. – E ambos riram.

Nesse instante, Honorine entrava. Estava exausta, mas feliz. Este, porque o coração de mãe rejubilava-se a cada vez que dava boa noite aos seus três diamantes; aquela, porque fazer adormecer o pequenino não foi tarefa fácil. A bem da verdade, sua alegria distava da plenitude, porque se era mãe, era também esposa; e ver o homem que amava deixar-se tragar pelo redemoinho do pessimismo era pura dor a confranger-lhe o coração.

Fixou o marido. Como de hábito, dormia de barriga para cima e ressonava. Não que isso não a incomodasse... mas os cântico do matrimônio contemporizou esse incômodo. Endereçou-lhe um sorriso terno, cuja áurea vibração retemperava, e sem que soubesse, tanto o corpo inerte quanto o espírito que lho habitava. Jules enterneceu-se. Procurou tocá-la, mas a fluidez momentânea relembava-o de que os carinhos maritais teriam que esperar.

Honorine, então, dirigiu-se ao seu lado da cama e apanhou a camisola que estava debaixo do travesseiro. Pôs-se próxima à salamandra, virou-se para o marido e começou a despir-se. Em verdade, desnudava-se para ele; não com a avidez e fugacidade dos amantes, mas, sim, com a sensibilidade da esposa virtuosa e compassiva, pronta a aconchegá-lo em seu seio, reconfortando-o em carinhos.

E se era verdade que Jules se avigorava com essa emudecida e inocente declaração de amor, não menos embevecido ficava Nostradamus que, por certo, de há muito se esquecera do quão sublime é a pele sedosa e jasmínea de uma mulher na flor dos anos.

Foi preciso que Jules entoasse um altíssono e inconteste pigarrear para que o filho mais dileto de Saint-Rémy-de-Provence se desligasse do êxtase e, corado de pejo, desse-lhes as costas. No entanto, ao se virar, deparava-se com uma das peças obrigatórias do mobiliário feminino – A penteadeira. Tentadora, infernal, ficava-lhe a pouca distância; a imagem, captava-a de esguelha. Nostradamus, que, encabulado, começou a suar frio, olhou para os céus, suspirou e proferiu em pensamento a súplica mais ardente de toda a sua jornada:

- Senhor, agilizai os que vão dormir!...

Percebendo o constrangimento do visitante, Jules até mudou de humores e ensejou um sorriso. E o reconduziu à vontade:

- Pode virar-se, ó polímata. Minha esposa já está sob as cobertas.

- Graças ao Altíssimo! – disse a baixíssima voz – Bom, onde estávamos...? Ah, sim. Creio que se começardes por me dizer as razões que vos levaram ao pessimismo, talvez eu possa usar das minhas ciências para ajudar-vos. Que me dizeis?

Jules bufou. Os porquês pessimísticos, sentia-os nas fibras. Mas, ao mesmo tempo, era como se aquele cruento contrassenso obliterasse-lhe a traqueia, erguendo fiadas de arrependimento e desesperança. Percebendo-lhe o recalque, o autor de Les propheties resolveu intervir, buscando no Alto a oportuna gazua.

- Em minhas centúrias costumava fazer citações de Plutarco, Platão, Jamblico... e entre os romanos, do biógrafo e historiador Suetônio. Neste caso, porém, nenhum desses iluminados teria a força necessária para derribar a parede que vos obstaculiza a fala. Que tal, então, simplesmente voltarmos a Hetzel? – Jules sorriu de leve; abaixou a cabeça e a balançou em negativas. De fato, não podia competir com um profeta.

- Bem... – Mais uma vez o diálogo era interrompido, pois viam o espírito de Honorine desembaraçar-se do invólucro perecível e postar-se ao lado do leito. E após um delicioso espreguiçar, em que os braços foram esticados ao máximo e os pés ficaram nas pontas, a desvelada mãe de família fixou a dupla imaterial, acenou para o marido e disse para si mesma:

- Lá está o meu autor preferido tendo com mais um de seus personagens. – E partiu para os seus quefazeres, endereçando-lhe um beijo carinhoso. Jules bem que tentou segurá-la, mas Nostradamus segurou-lhe o braço.

- Já vos disse, se não conversarmos hoje... – E era cortado pelo futuro orgulho de Nantes que lhe completava a frase:

- “Voltarei na noite seguinte; e na seguinte, e na seguinte”. – Desta vez, um e outro riram, e um pouco mais.

- Pois então, caro Jules, sou todo ouvidos.

- Bem, como você mesmo lembrou, depois da minha primeira novela de sucesso... – E era interrompido:

- E que sucesso!

- Obrigado. Mas, como dizia, depois de Cinco semanas em um balão, todos ficamos muito felizes; sobretudo minha esposa, que nunca deixou de acreditar em mim.

- Essa é uma mulher valorosa.

- Deveras. Hetzel, por óbvio, também ficou muito contente; tanto que, como você também disse, está prestes a fechar um polpudo contrato comigo.

- Mérito, apenas mérito.

- Obrigado, mais uma vez. Mas, como não poderia deixar de ser, tamanha alegria só me estimulou a produzir cada vez mais. Daí que, dando asas à criatividade e à originalidade, concluí neste ano mais um livro, e que intitulei Paris no século XX

- Mote assaz interessante. Mas, e o vosso problema? – De fato, Nostradamus não era dado às embromas.

- É nisto que quero chegar. Sem querer me alongar, a história passa-se na superpovoada Paris de 1960.

- Sempre visionário... – pensou Nostradamus.

- Daí que a tecnologia que aquele século conquistou, com máquinas que estão muito além de nossa realidade, trouxe, sem dúvida, muita comodidade aos habitantes do futuro. Como, por exemplo, um engenho que imaginei, em que se coloca um papel, um documento qualquer, e ele é reproduzido por um aparelho igual, localizado a léguas de distância. Ou, também, com os comboios ferroviários não mais viajando sob o sol ou sob a lua, mas, sim, debaixo da terra, em túneis que atravessam quilômetros o solo de Paris.

- Aquele, parece-me inspirado no telégrafo; este, nos furões...? De qualquer forma, ainda acho impossíveis de serem inventados. – A afirmação, deitava-a tão somente para desafiar-lhe o espírito.

- Não para a literatura.

- Dou o braço a torcer. Mas, continuai, por favor.

- Pois, então... Além disso, a própria economia alterou-se vertiginosamente, o que fez com que o mundo começasse a se interligar.

- Sem fronteiras econômicas?... Isso também me parece... – E novamente era atalhado:

- Não para a literatura. – E, sorrindo, mais uma vez confessava-se vencido.

- Avançai, por favor, que minha curiosidade aumenta.

- Bem, no século XX, todas essas conquistas renderam inúmeros benefícios aos parisienses.

- Ora, e isso não é maravilhoso?

- Pois foi antevendo essa transformação que comecei a perceber, até por força da autonomia que a história ganhava, que o avanço teconológico não traria apenas benefícios à sociedade. Receava, a cada período que criava, os efeitos que o mau uso desses conhecimentos poderia trazer, bem como os do desaparecimento das fronteiras econômicas. Via, a cada capítulo que se descortinava, a desculturação da sociedade que tanto amo, despojada do apreço pela classe artística e dos bons valores que por séculos a caracterizaram.

- Agora entendo o paradoxo que o atormenta.

Um respeitoso silêncio se fez. No entanto, os semblantes falavam, e com vozes manifestas: o de Nostradamus exprimia a serenidade que fora construída nos séculos de aprendizados. Já o de Jules... As marcas na testa refletiam a traiçoeira imprevisibilidade das belas-artes; as veias saltadas expressavam a indomável capacidade de criar e o inquietante ineditismo; e os olhos manchados, pedintes e úmidos confessavam a pungente insônia que ferreteia todos os homens de visão.

- E percebo mais: O pessimismo nunca partiu do criador para impregnar a criatura. Foi a partir desta que aquele se contaminou!

Jules manteve-se calado. O vidente da Renascença desvendara-lhe o íntimo da alma e isso lhe proporcionava um átimo de doce refrigério. Sentia-se, agora, tal qual criança de tenra idade que, caída ao chão, vê-se socorrida pelos fidedignos braços paternos.

- Já que desbastou o emaranhado dos meus sentimentos, e que, com isso, trouxe-me uma certa paz ao coração, o que o erudito compatrício me aconselharia? – e como a sugestão de há pouco tinha sido apreendida, o jovem escritor arrematou: – Devo seguir o que me aconselhou meu editor?

- Bem... – e suspirava sem pressa – Se posso resumir as questões que lhe sulcam as fibras, diria que a primeira é a disposição de tudo encarar pelo lado negativo. E a segunda, se deveis acatar o aconselhado por Hetzel, deixando de levar a público Paris no século XX. Jules concordava com um gesto de cabeça.

Nostradamus cerrou os olhos por alguns segundos e suplicou ao Altíssimo novas e esperançosas instruções. Ao depois, fixou o primogênito da família Verne, e, com voz firme e pausada, pôs-se a falar:

- Deveis alegrar-vos com a bagagem que adquiristes no tempo e no espaço. Se hoje sois um escritor promissor, é porque conquistastes todas as condições para agradar aos milhões de leitores que de vós aguardam o só início do balançar da pena. Com toda a pujança de vossa arte, devereis continuar a desvelar as muitas conquistas para as quais a humanidade está destinada. O sucesso que alcançarás, a cada nova publicação, permitir-vos-á, inclusive, que vos dediqueis exclusivamente à literatura! Isso não vos parece maravilhoso? – O ouvinte acalmava-se; e sorria.

Sabedor de que quando Jules acordasse restariam apenas tênues lembranças do que profetizava, a Providência permitia, outrossim, que alguns títulos fossem revelados. Até porque, voltariam a permear as escolhas do autor no devido tempo.

- Viagem ao centro da terra; Vinte mil léguas submarinas; A volta ao mundo em oitenta dias; Robur, o conquistador... são apenas alguns exemplos dos mais de cem livros que escrevereis! E assim como já concebestes o fax e o metropolitano, antecipareis o submarino nuclear, o aqualung, a televisão e as viagens espaciais. – O pessimismo dissipava-se na mesma proporção em que o sorriso aumentava.

- E?...

- Calma, que ainda não terminei. – Jules já ouvira essa frase antes... – Quanto a Hetzel, faríeis bem em seguir-lhe a recomendação. Vindes granjeando legiões de admiradores com uma fórmula simples, mas eficaz: histórias otimistas, aventuras extraordinárias. Ora, valeria a pena conspurcar o vosso perfil e o vosso futuro profissional só porque pressagiastes alguns quês agourentos? Se não houvesse pedras no caminho, caro Jules, o ser humano não evoluiria! E quem disse que Paris ou o mundo não sairão triunfantes? Esquecestes que nunca somos desamparados pela Providência? Aliás, e como já vos disse, se houve alguém com razões de sobejo para render-se ao pessimismo, este fui eu, que fui bombardeado por quase todos os flancos. Mas fugi? Parei de trabalhar? Não, certamente. Portanto, caro amigo, suspendei a publicação desse livro apenas por uma questão de estratégia. Mas continuai a criar, a produzir; que o vosso nome será lembrado por todo o sempre!

Como Jules não fazia outra coisa senão sorrir e enxugar as lágrimas, coube ao emissário divino a iniciativa comovente. E um fraternal e auspicioso abraço seguiu-se, levando o velho profeta a tecer hosanas em agradecimento.

De fato, os conselhos de Hetzel e de Nostradamus foram seguidos à risca. O manuscrito de Paris no século XX foi guardado em um cofre e nele permaneceu esquecido por 126 anos. Quando, então, foi finalmente encontrado por um dos bisnetos de Jules Verne, que, para glória da humanidade, presenteou-nos com essa preciosidade literária.

 

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Category : Short story