Desencontros e encontros

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Certa vez como de costume vagava sem rumor em meio as idéias, quando a buzina de um carro desviou a minha atenção, não fora exatamente para o veículo, mas sim para o cachorro que atravessa de forma irresponsável à rua, depois do obstáculo tranquilamente se deitou embaixo de uma árvore, poucos metros acima um pássaro trazia comida para seus filhotes que clamavam o retorno de sua mãe. Era 17:00 o sol já estava fraco e fazia com que a árvore criasse uma sombra que apontava para o banco da praça ao lado onde se encontrava um jovem que de forma muito dedicada escrevia em um pequeno bloco de notas.


Cada detalhe do ambiente parecia lhe chamar a atenção, as crianças brincando, o vento varrendo as folhas e até mesmo abelhas nas flores. Sua dedicação prendeu minha atenção e com isso percebi que ele buscava inspiração. Me aproximei para ver o que escrevia e de primeira vista me pareceu ser um poema, estava bem trabalhado, mas incompleto, mesmo estando incompleto era notável que cada letra, cada palavra, cada verso foi muito bem pensando, essa obsessão que o jovem apresentou pelas palavras me chamou a atenção então procurei seguir seu ato enquanto andava, no ônibus para casa, enquanto jantava e um pouco antes de dormi, a todo o momento escrevia.


Na manhã seguinte esperei ansiosamente sua saída e foi com passos lentos e distraídos que ele chegou à escola, olhou de forma disfarçada para todos os lados como se procurasse alguém e encontrou. Sentada próximo da entrada um belo par de olhos verdes navegava em palavras de um livro escolar, com isso ele se lembrou de seu bloco de notas e começou a escreve de forma ainda mais dedicada como se aquela bela jovem lhe incentivasse apenas por existir.


Três meses antes o nosso jovem escrito sempre distraído andava pelo corredor de sua escola quando esbarrou na dona dos olhos verdes derrubando seus livros, ela no mesmo instante juntou de forma desesperada como se fossem de valor inestimável, ele sem graça a ajudou desculpando-se de forma atrapalhada e foi o suficiente para brotar um amor, começaram a conversa e de repente ele percebeu que já era tarde para que se pudesse voltar atrás, ia, de alguma forma, conquistar os olhos mais lindos já desenhados por Deus, considerava que não tinha talentos e nem aparência que fossem atrativos. Considerava que não tinha nada, então decidiu escrever um poema, o sentimento era tudo que tinha e mesmo que ela não aceitasse isso devia valer alguma coisa, jurou procurar as palavras mais bonitas que existia para escrever algo que conquistasse sua amada, essa busca obcecada durava até agora, o seu poema já estava quase pronto ele lia e relia tudo precisava ser perfeito.


Faltava 30 minutos para às 17:00 e como de costume estava a caminho da praça onde eu o encontrei, nesse exato momento um homem de 40 anos era demitido de seu trabalho, nesse exato momento o jovem tirava o bloco de notas do bolso e começava a escrever esquecendo o mundo em sua volta, o relógio deu duas voltas e nesse exato momento o senhor a poucos minutos demitido, voltava para casa dominado pela emoção do momento que o fazia dirigir de forma perigosa, nesse exato momento um cão que costumava deitar embaixo da árvore que apontava para um banco com sua sombra, atravessou a rua mais cedo, mas como sempre de forma irresponsável, nesse momento o motorista perigoso viu o cão em seu caminho, manobrou o carro de forma bruta perdendo o controle, desviando para a calçada na qual o jovem escrevia distraído e se encontrava comigo...


A morte, desculpe mas ele era tão talentoso, não pude resistir.

Published at : 15-03-2017
Category : Short story