A casinha do avô

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A pequena casa no sítio dos avós sempre despertara sua atenção. Rubens, desde bem pequeno, em tempos de férias escolares, desejava viajar, já no segundo dia após entrar em férias, para junto daqueles que para ele eram suas melhores referências: seus avôs. Jamais, no entanto, recebera autorização dos dois para entrar na pequena casa que não ficava distante de onde o casal morava. Sem que houvesse explicação alguma, sempre que os interrogavam sobre a casinha, estes desconversavam, não o permitindo que entrasse ali dentro.  

Agora, décadas depois, já sem os avós tão queridos para acolhê-lo naquele local que lhe trazia lembranças incríveis, e conhecendo toda a verdade, era Rubens que não mais desejava adentrar na casinha. Continuava indo, não com muita frequência ao sítio, de onde guardava suas melhores lembranças de infância: as brincadeiras simples com o filho do caseiro do avô, os banhos tomados nas belas manhãs no rio de águas cristalinas que serpenteava as lindas paisagens do lugar; lembrando ainda de todo carinho recebido pelos pais de sua mãe, aquém sempre muito amou. Não os esqueceriam jamais!

Porém, daquela casinha pequena, já com o mato invadindo seu espaço, ele não procurava lembrar-se. Havia ficado sabendo da verdade quando, certo dia, após ter insistido muito com seu pai sobre o mistério da casinha, este lhe contou que, ali dentro dela, a primeira do avô; quando este ainda era bem moço e recém casado com sua avô, um homem invadiu o local e, sem motivo algum, o havia atingido com um balaço, o deixando paraplégico até os últimos dias de sua longa e vida. Ao saber pelo pai a verdade sobre o avô e a casinha do sítio, ele sentiu forte emoção, sobretudo por imaginar que, enquanto viveu, o avô havia continuado sua vida alegremente, não permitindo que as tristes recordações do que havia ali ocorrido, apesar de virem raramente à sua mente, jamais lhe fizesse sentir uma pessoa anormal. 

Published at : 06-04-2017
Category : Short story