O inventor

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“Everton, o que você fez agora?”. “Mais uma de suas invenções malucas para me atrapalhar aqui, dentro de casa! Eu já não suporto mais viver tropeçando nessas suas criações sem sentido”. Dizia a mãe, quando ele era somente uma criança de oito anos.

O menino foi ganhando estatura e intelecto. Diante de cada novo invento seu, aumentava mais o interesse pelo novo e por novas descobertas. Ele mesmo projetava, planejava e criava, não lhe faltavam ideias na cabeça. Quando decidiu aprofundar mais seus dons e focar-se no que realmente desejava, optou por estudar robótica, curso superior já existente em seu país na época. Ao mesmo tempo em que realizava a graduação, com total domínio nas aulas práticas e teóricas, também concretizava um antigo projeto: criar sua própria aeronave. Antes mesmo de chegar à metade do curso superior, ele já estava com o projeto quase todo prontinho, em sua estrutura mecânica; faltavam somente o acabamento e os primeiros testes, algo que não demoraria à acontecer, se tudo continuasse no mesmo andamento que vinha. Depois de concluído todo o projeto, que certamente seria sua maior criação, ele escolhera uma data especial para testá-lo. Tinha tudo em mente.

Era sete de setembro, seu feriado predileto, uma sexta-feira. Teria três dias para testar a invenção, Aurea, em homenagem à avó que sempre o apoiou. A mãe, única companhia desde sua partida, era uma das poucas pessoas que conhecia o projeto, havia dois de seus amigos que sabia do invento; um deles, dono do terreno ao lado do sítio em que morava, doou o amplo local de planície que lhe serviria de pista.

O sol espalhava seus raios luminosos. A mãe registrava cada momento marcante paro o filho com a máquina fotográfica. Dentro da pequena cabine, fechou o capacete azul com vermelho e, após acionar o monomotor da Aurea, Everton, fazendo o sinal de positivo para os três que o observavam na lateral de terra batida, seguiu reto por uns 300 metros até que, puxando uma espécie de bengala que servia de câmbio, viu a parte frontal do pequeno avião ergueu-se. Aquele era mais um de seus sonhos realizados, o maior deles.

Voou por cerca de dez minutos, a 400 pés de altitude. Sentiu-se totalmente livre no espaço e comprovou que a Aurea correspondia ao esperado. Foi um dia de glória para Everton, para a mãe e os dois amigos. Tinha uma única certeza, não pararia por ali; iria mais adiante e daria novos voos, maiores e mais altos ainda. 

Published at : 10-04-2017
Category : Short story