O Vento

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Eu penso na presença divina como como O vento.

Quando meu espírito está sufocado pela angústia, Ele sopra providencialmente tirando-me o sufoco.

Quando me submeto ao cortante frio do egoísmo, Ele sopra impassível para me fazer lembrar que o calor humano é o único agasalho eficiente. 

Quando a chama do amor jaz a míngua, quase sem ar, Ele sopra com ternura, reavivando as brasas de onde só haviam cinzas.

Quando do alto do meu ego penso ser a mais alta e a mais forte árvore da floresta, Ele consegue, sem esforço, me dobrar fazendo que eu me lembre que eu sou tão forte quanto meu galho mais fraco.

Quando do centro da minha soberba penso que meu pensamento me faz grandioso, Ele me lembra que o deserto pode ser grande e alcançar várias fronteiras mas é igualmente volátil. Seu calor engana durante o dia e consegue ser frio e vazio durante a noite e por mais altas que sejam suas dunas a mais fraca das brisas as movimentam ao seu bel prazer.

O vento tem o poder de acalmar quando canta Sua harmoniosa melodia. Torna claro o dia escuro quando leva embora as nuvens de tempestade.

Ele dissipa o nevoeiro que encobre minha visão.

Más, às vezes, tenho medo do vendo. Quando me sinto um passarinho que não quer deixar o ninho O Vento parece impiedoso. Eu penso que Ele quer me derrubar do alto por não cumprir a ordem que era de não olhar para baixo.

Então eu caio.

Grito.

Não sou ouvido.

Peço perdão.

Choro.

Continuo caindo.

Desisto, eu me rendo.

Não tenho como fugir do meu destino.

Eu desobedeci e vou sofrer meu castigo. Como último impulso, abro minhas asas e espero pelo impacto. Não caí.

Me sinto leve.

Sinto uma coisa estranha.

Sinto...O...Vento!

Em minhas penas, embaixo de minhas asas.

EU ESTOU PLANANDO!

O vento que me assustava, agora me sustenta.

Eu pouso em segurança e olho para cima.

Procuro e não o vejo.

Ele me causou emoções extremas más não consigo ve-lo.

Ainda o sinto.

Agora eu entendo.

Mesmo não podendo ve-lo, mesmo sem poder toca-lo, ainda que impossibilitado de ouvi-lo, Ele sempre esteve presente, me sustentando e me preenchendo. Assim como o vento, Ele só precisa de uma brecha para se fazer presente e eu quero estar a céu aberto para sentir toda sua plenitude.

Published at : 17-04-2017
Category : Poetry and poems