aGente Jota "V"

Prova numa fria

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— Bom dia, Detetive.

— Bom dia! - Senhor…?

— Jota “V.”, ao seu dispor!

— “V” o que?!

— Por favor, …“Jota”!

— Ok, prazer. Sou o policial designado pro caso do “serial killer”. — Mas... você não é policial! — É?

— Não. — Quando vocês têm problemas com os arquivos…

— Arquivos? Como assim?

— Não me interrompa! — Quando a polícia não consegue processar os arquivos ou assimilar os fatos. Eu sou o “Cara”, “O” profissional que vai solucionar o caso. Assim vocês apenas correm atrás dos transgressores. — Me chame de “Jota”.

— Senhor “V”! — O que vai ser?

— Vamos atravessar a rua, ...é logo ali.

— Cuidado..?!?!?

— A moto...!!! — vai te atropelar!!!

— Obrigado policial…

— Um Ford Mustang Shelby, neste bairro?

— E ainda, uma ambulância que rodou na pista e bateu no meio fio do outro lado da rua.

— Pior pro Mustang que capotou. — Aconteceu na nossa frente e não vimos nada?

— Você... — não viu!!!

— Como pode um simples motoqueiro, fazer tanta bagunça?

— Simples… Os motoqueiros têm o péssimo hábito de contar a intermitência de sinal, designada aos pedestres. Olha para o sinaleiro à borda da rua. Note que ele está com alguma anormalidade. Pois o normal é piscar três vezes, no entanto — este aqui — está piscando sete vezes, antes de alterar a cor!

— O motoqueiro contou três ciclos de intermitência do semáforo para pedestre, e avançou. O motorista do Mustang estava correndo demais, numa via tão simples. Estava 50% acima do recomendado, — ...na placa à sua esquerda. Um carro desses, que acabou de ser emplacado, sendo pilotado por alguém, que recém se formou na faculdade. — O chefe dele vai matá- lo!

.......? — “Esse cara não é normal.”

— A ambulância ao se desviar, rodou na pista, mas está tudo bem.

— Como você viu tudo isso?

— Fatos, meu amigo… Fatos.

— Mas isso não esclarece o fato do motoqueiro ter deslizado, caído, e ter provocado a mudança de faixa do Mustang. — O que causou todo esse desastre.

— Hum…. precisamos esclarecer os fatos... — Uma testemunha seria bom.

— No terceiro andar do prédio à sua direita… Uma senhora viu tudo, e se escondeu!

— Hum...? — Senhora...? Só vejo uma caneca e a janela aberta.

— Olha, existem manchas no parapeito da Janela. As manchas geradas pelo óleo ou creme — utilizado — em excesso. Então ela se apóia com as mãos, sempre que precisa ver o Hall de entrada do prédio. Acho que ela fica vigiando os namoricos, tarde da noite. A marquise não é muito grande, então ela precisa se esticar para ver a entrada. Uma senhora de baixa estatura, 1,50 no máximo 1,55 metros.

— Porque mulher?

— Homem nenhum utilizaria aquela caneca combinando com a cortina. Uma combinação de fatos: creme no parapeito, cortina colorida combinando com a caneca.

— Posso estar enganado, vamos subir. Pelo número e posição… é o... “301”.

— “Opaaa…”

— O que é isso...?

— É meu filho!

— Mas ele “ta” bem crescidinho para sair por ai arrastando um bloco de gelo amarrado por uma corda.

— Ele tem autismo, e a única maneira dele sair da crise, é congelando as coisas.

— Como assim!?

— Ganhei no bingo um freezer e coloquei no quarto dele. Ele aprendeu como se faz blocos de gelo. À noite ele faz os blocos com “coisas” dentro. — Hoje mesmo ele arrastou dois blocos: um com abacate, e este que ele arrasta com uma carpa dentro.

— O Senhor não tem medo que ele atravesse a rua e se machuque?

— Não, ele só dá voltas no quarteirão. Os vizinhos ajudam a tomar conta dele, sabe! — ele ainda fica — com alguns vizinhos, amigos, para que eu possa trabalhar. Por causa dele, tive que largar o emprego.

— E sua esposa do “301”, o que ela acha?

…....? — Ela quase nunca desce… Ela olha ele lá de cima, “— nosso filhote…” — Compramos esse aparamento, num prédio de esquina, assim ela consegue olhá-lo. Já moramos na rua de trás — quando pagávamos aluguel — então as pessoas o conhecem, e a até ajudam a olhar o “Júnior”.

— Então, ele não atravessa a rua?

— Não, a mãe dele morreria de tanto gritar lá de cima!

— Eu acho que ela desceu…

— Meu bem o que houve? Desceu... — esses são…

— Bom dia, aGente “V”. E eu, Policial, Carlos...

— Bom dia cavaleiros… só vim ver do que precisam.

— O seu filho atravessou a rua?

…. é… é… é… — querem subir pra tomar um café?

— Logo após eu examinar a rua, e ver com os meus peritos?

— Que, peritos?

— Meu “smartphone”... estava no bolso da calça… “aaaqui”… — Achei!…

...Se precisarem, por favor, chamem pelo interfone, no “301”!

— Sim, daqui uns minutos chamaremos. Grato!

— hum.. — Acho que você errou quanto aos namoricos… a senhora que você falou, que se apóia no parapeito, é pra ver o Júnior.

— Sim… foi por pouco! — Vamos aos meus peritos!

— Onde?

— Internet... Google... Wikipedia... Bing...

— Às vezes você chega a ser hilário, aGente “V”!

— Hum… — O que nosso amigo Júnior estava arrastando pela manhã?

— Peixe… Risos...

— Não esse de agora, anterior à Carpa!

— Abacate! — Aonde quer chegar?

— O Júnior arrasta blocos de gelo... — vamos dizer, que ele hoje se encantou com o semáforo piscante, e atravessou a rua de um lado para o outro, até transformar o abacate — rico em gordura vegetal — em mínimos fragmentos.

— “Tá”! — O que criou uma capa de gordura.

— Combinados: a faixa de pedestre pintada no asfalto, molhada pelo gelo, com uma fina camada de gordura! — Fatal!

— E o “Mustang”, como capotou?

— A combinação foi a causa do acidente da moto, e fez também, o carro rodar, e aquele pequeno corte transversal foi a causa do capotamento.

— Uma vala?...

— Observe a placa à borda da rua, recostada ao muro por algum desavisado. Os trabalhadores do serviço de encanamento deixaram — devidamente identificado — para passar posteriormente, um simples, cano de água. — Ao motoqueiro, arrancar rápido, e tombar a moto para fazer a conversão, derrapou na gordura vegetal! — O motorista da ambulância, foi perspicaz, e adotou a mão de contramão, e conseguiu evitar um grave acidente, — colidindo com o meio fio —.

— Caso resolvido, e simples meu caro..., — muito simples!!!

...Tenho que resolver um caso de verdade, esse nem chegou a ativar os meus neurônios.

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Published at : 17-05-2017
Category : Short story