Notice (8): Undefined index: HTTP_ACCEPT_LANGUAGE [APP/Controller/AppController.php, line 55]
- O predador

O predador

Font Size:

O som não é igual e talvez nem parecido seja, mas que me fez lembrar, fez. Estou a falar do bater de bico das cegonhas. O barulho, que vem lá do alto da chaminé, trouxe-me à memória o grunhido do extra-terrestre que infernizou a vida ao Scharzenegger. Na falta de uma selva Amazónica à mão, ainda olhei para as árvores carecas da calçada, na esperança de poder ver uma semi-transparência humanóide nos galhos; só que nada.

Entretanto, a NASA descobriu dez Terras fora do Sistema Solar. Contudo, porque as distâncias são abissais, a verdade é que este tipo de descoberta já não chega para causar comoção. Poderemos até lá chegar à velocidade da luz - um dia - enquanto espécie; ou então, mais rápido seria que um alienígena se esgueirasse por um atalho através do espaço e do tempo.

E se de facto existem - estes tais viajantes que passam pelos buracos-de-minhoca -, estarão eles a viver entre nós? Talvez só nos falte um sexto sentido, ou somente aqueles óculos idealizados pelo Carpenter. Serão reptilianos camuflados de pele humana, ou entidades energéticas? Serão bons ou maus? Invasores ou recolectores? E na eventualidade de já estarmos a ser colonizados, haverá também ADN de outras células nas nossas células? Quem somos afinal? Terrestres?

Uma coisa é certa: não há vida sem predação. Sabemos que os omnívoros predam tudo aquilo que podem comer, e que os herbívoros são os carrascos dos transportadores de clorofila. Não sabemos é o porquê-profundo destas correlações alimentares. Há, portanto, uma crueldade intrínseca para que possamos viver, enquanto espécimen, temporariamente? Ou estamos protegidos por uma compaixão convencionada pela Humanidade?

Aliás, a cegonha avistada - num ritual qualquer - roçou repetidamente o maxilar contra a mandíbula, mas os estalidos já não se fizeram ouvir nos ouvidos mais acostumados das redondezas. Passaram despercebidos. Simultaneamente, ela dobrou o pescoço para trás e, possivelmente, regurgitou um sarguete para dar à cria. E, sejamos honestos, quem quer saber da morte do pobre peixe? É a Natureza em curso - pensamos nós. Por outro lado, se com a mesma tranquilidade sobre a tal Natureza, não toleramos - por exemplo - uma hiena com a mão decepada de um homem na boca, o que pensar então de um predador de troféus vindo de outra galáxia? Será só ficção, simplesmente?

Published at : 21-06-2017
Category : Articles and Opinion