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- A carne também é lugar de epistemologia fresca

A carne também é lugar de epistemologia fresca

Ou nem toda fragilidade é latente

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Não pelas costas. De frente. Peito. Tantas punhaladas que até os números naturais se rompiam no corte e sangravam. O sangue dos números é decimal. Já a carne do peito sangra aquilo que já conhecemos do cinema gore e das feridas em geral, fora é claro, as feridas que dizemos ser no sentimento, já que os sentimentos não possuem musculatura apta a furos de lâmina (ferida no sentimento não é ferida). Talvez se pergunte agora se as costelas e toda a ossatura torácica não dificultaram as punhaladas, mas digo que não, se botar um ódio e uma lâmina e uma pessoa muito perto não há ossatura que dificulte o absurdo ato de apunhalar. Perdão, mas não vou discorrer sobre a origem da lâmina e da pessoa, já existe ciência pra isso. Mas do ódio convém falar a origem. A origem do ódio é o absurdo de desconhecer o que o outro (o apunhalado) traz no fundo. O fundo, pensa a pessoa com ódio, deve esconder-se depois das costelas, junto da polpa cardíaca. E então? Tantas punhaladas e lá no fundo só viu osso, sangue e artéria (ou talvez veia, não sabia). A pessoa e o ódio e a lâmina cansados, e o saber de que o fundo das pessoas não é no fundo da carne fazendo febre existencial. O apunhalado morria, enquanto seu fundo apagava na superfície óbvia e assustada dos olhos.

Published at : 13-07-2017
Category : Short story