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- Memórias de uma Ruina

Memórias de uma Ruina

Carreiro de Pedra

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Era manhã de domingo ... seu Agnelo preparava-se para ir à igreja com suas filhas, atitude que acontecia rotineiramente. Montava a cavalo e pouco a pouco aproximava-se do local sagrado, para os moradores da comunidade de Carreiro de Pedra e redondezas... O evangelho chegara a comunidade trazendo para ela nova forma de ver o mundo, de encarar a cultura e principalmente a eternidade. A consciência que se tinha de que a vida eterna era obtida por muitos dogmas passa a sofrer a interferência de pregações acaloradas pelo evangelho, na pessoa de muitos pastores que por lá passaram, muitos deles vindos da capital pernambucana, era meados da década de trinta. As comunidades adjacentes não viam essa " invasão" de bom grado, afinal já estavam acostumados às suas crenças e costumes advindos de seu ancestrais, desde o agricultor que habitava a região até a professora, todos eram alcançados por essa nova forma de ver o mundo. Parte dessa história é contada por quem viveu esse período: Neuzeny, a filha segunda da família de seu Agnelo e de dona Elisa, integrou essa história. Ainda com cinco anos de idade, viajava aos domingos para a Igreja de Carreio de Pedra, nome popular pelo qual ficou conhecida a igreja, juntamente com suas irmãs, Neuma e Neide, ela relata com delicadeza, cada pedacinho da história, contada pelo outro lado das cenas, marcadas por um saudosismo, dos cheiros, das ações, e palavras de muitos autores e protagonistas dessa história. Ela relata que ao chegar a Igreja ficava a esperar o início dos trabalhos na casa vizinha a igreja, que era de Srº Rubens, personagem muito importante nessa história, visto ter sido ele desde sempre que abrigou em sua residência os missionários advindos de outros estados para a realização dos trabalhos. A espera era marcada pelo soar das louças de barro de Dona Clara, senhora que vendia na calcada da referida igreja suas panelas aribés e potes. Pouco a pouco chegavam as famílias para adentrar ao átrio da igreja e ouvir o anuncio das boas novas, e logo estava cheia.. Eram assim descritas as cenas. Essa vivência perdurou toda a sua infância e adolescência, descreve os louvores e orações que eram regularmente realizados no templo, pelos “conjuntos”, assim eram chamados os grupos de louvores da época. Dentre os louvores cantados estão os que integram o Cantor Cristão, e louvores de alguns cantores da década de trinta e quarenta ...

Published at : 11-10-2017
Category : Short story