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- Eu já não sei de que forma mesmo eu fui embora

Eu já não sei de que forma mesmo eu fui embora

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“Eu já não sei de que forma mesmo você foi embora” Essa frase se iluminou em meus pensamentos enquanto nostálgica eu ouvia Ana Carolina, especificamente – a canção tocou na hora errada. Já ouvi essa música diversas vezes antes e nunca parei para pensar que esse simples trecho poderia significar muito mais que eu imaginava. Não sei exatamente quando um amor vai embora, na verdade cogito que nunca vai. Sempre fica algo, bom ou ruim, sempre permanece, mas me perguntei em que momento a gente deixa de amar, a lembrança não dói mais. Quando de fato as raízes e fios que nos pediam ao um antigo elo realmente se rompem. De que forma ele foi embora da minha vida? Quando aconteceu tudo no fatídico dia no meu aniversário? Quando eu descobri seu novo relacionamento? quando eu me apaixonei outra vez? Numa dessas viagens que fiz? Em que momento eu deixe de o amar? Se que na verdade um dia eu amei... Eu não sei de que forma mesmo ele foi embora, a precisão, o dia os detalhes. Eu sei que foi, e demorou. Paradoxalmente, ficou. Ficou um pouco, algumas lembranças e surpreendentemente até algumas boas, sorrisos, abraços, brigas, choros. Tanta coisa que ficou apenas na memória. Não tenho foto, objeto de afeto, roupa, nada que o lembre, no máximo alguns textos que rabisquei em momentos difíceis. Conheci tanta gente, me apaixonei duas vezes desde que tudo acontecera e ainda sigo sem saber de que forma ele foi embora, talvez a canção tenha mesmo tocado na hora errada, talvez eu não tenha conseguido ouvir por causa do temporal- e como chovia. A chuva tem esse poder de desequilibrar e equilibrar depois. Fui intransigente,inflexível. Eu estava machucada. Doía, pesava. Hoje depois de tanto tempo eu gostaria de o encontrar em alguma esquina qualquer e talvez tomar um café, conversar sobre a vida, ou talvez isso não tenha cabimento... O fato é que agora cogito essa possibilidade, houve um tempo que nem na mesma esquina que ele eu queria cruzar. O agora e suas incompreensíveis efeitos... Posso de certo não saber de que forma ele foi embora, de que forma eu fui embora, mas sei de que forma estou. Depois que passou o inverno fora de época, depois que o rio que parecia infindável fluiu, a primavera chegou, um ciclo se completou. Eu sei de que forma eu vou, ainda que não compreenda exatamente como ele foi da minha vida, como desapareceram os vestígios que tanto me castigaram quando a chuva caia em minha janela e a dor furtava o sono. Agora floresço, agora eu sei de que forma eu sigo. Ainda que talvez, nunca saiba de que forma fui embora.

Published at : 16-10-2017
Category : Short story