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- 23.3.2013

23.3.2013

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Eu não sentia nada. Estava totalmente vazia. Não havia mais lágrimas que eu pudesse derramar somente uma lacuna em meu peito. Em meus ouvidos ainda ecoavam seus risos, meus risos. Os nossos risos. Quando fechava os olhos, ainda era possível visualizar com todos os detalhes aquele seu doce sorriso, o modo como seus olhos brilhava de entusiasmo por um assunto qualquer. Recordo cada detalhe seu, a forma como me olhava. Você simplesmente me enxergava. Ou fingia me enxergar.

Permaneço imóvel, incapaz de pronunciar a qualquer um como você destruiu meu coração. Ele era inteiramente seu, jamais acreditei que pudesse magoá-lo. Continuo não acreditando no tamanho da dor que suportei durante todos os dias. Aquela dor indescritível, que me rasgava por dentro. E fazia meus olhos chorarem lágrimas secas. Você me deixou seca. Sem emoção.

Gostava tanto de você, que não era possível identificar seus defeitos. Jamais notei qualquer um deles, pelo menos nada além da traição. E mesmo agora, com meu coração em pedaços, minha mente vagueia tentando recordar qualquer indício de seu mau caráter. Sem conseguir encontrar esse sinal que eu deveria ter percebido. Esse resquício que meu tolo coração deveria ter notado. Deveria ser visível, mas eu estava cega.

Permaneço me punindo, revisitando constantemente minhas memórias. Inspecionando meus atos, nossos olhares, promessas e juras de amor. Convivendo com a patética realidade da minha triste situação. Não compreendendo como um amor que tanto me consumia hoje só me causa sofrimento. Ainda consigo enxergar, posso sentir o gosto sem nem mesmo te tocar. Como pode um sentimento tão puramente verdadeiro simplesmente transformar-se em desespero.

Nessa inércia, te querendo sem me permitir admitir que sempre vá te querer. Amando-o em silêncio, me odiando inteiramente. Odiando todas as sensações, que mesmo sem estar presente você me causava. A cabeça ciente das dores e recordando as cicatrizes, não se atreve a confiar novamente. Porém, o coração sente involuntariamente causando infinita melancolia. Eu não quero sentir o que eu sinto, eu não quero chorar depois de tantos anos. Recordar dos dias vazios depois de todos os meus esforços para me recuperar das noites mal dormidas e das lágrimas no metrô. Aulas não assistidas, parte da minha vida desperdiçada. Da depressão que você me causa. De como me senti fraca, como essa sensação misto de vergonha e covardia aumentava meu desanimo. Maldize todos os dias que meu caminho ao seu cruzou, permitindo-me envolver nessa cilada que é querer você. Ainda me detesto por ter querido que você voltasse, tivesse me escolhido. Que tivesse ao menos explicado, o porquê de eu nunca ter sido suficiente. Esclarecido qual era o problema comigo, ter me permitido alterar seu pensamento.

Essa constante discussão comigo mesma, estende-se por meus dias desde que você furtivamente me abandonou. Continuo recapitulando nossos dias, carícias, beijos e afagos, tentando consolar essa angústia que insiste em me acompanhar. Esses sentimentos de falha e imprudência dos meus atos e dessas dores que não posso ilustrar. Apenas, sinto todo esse caleidoscópio de anseios que transparecem em meu rosto e embalam meus dias em pranto.

Entre não sentir nada e ser essa pessoa sobrecarregada de emoções, fico aqui transcrevendo aquilo que as palavras não dão definição. Fico calada entre os gritos da multidão, aguardando qualquer suspiro de superação dessa lástima que fracassa meus anseios.

Published at : 09-01-2018
Category : Poetry and poems