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- Dei meia volta

Dei meia volta

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Dei meia volta, fitei o chão e deixei o cigarro lentamente se apagar no chão. Eu havia desistido, passei muito tempo esperando por alguém que já tinha decidido ir, mas ainda sim desapegar era doloroso. O cordão ainda estava em minhas mãos, ainda sentia as letras gravadas num pingente de coração, sem duvidas que aquela tinha sido a maior demonstração de afeto de sua parte “eu sempre lembrarei de você” e amiúde a data do nosso primeiro beijo. Dois de março, como esquecer... Segurei com força por mais alguns segundos e logo após lancei-o no chão, não tinha mais razão guardar aquele tipo de lembrança.

Senti o ar gelado encostar em meu rosto, você não estava aqui e eu precisava aprender a encarar essa nova realidade. Não sei exatamente o porquê senti essa inexplicável vontade de voltar a esse lugar, talvez tenha sido uma tentativa vã de te encontrar, encontrar alguma parte de você que ficou aqui, algum vestígio de nós dois, da nossa historia, na verdade, eu não sei direito o que me trouxe até aqui. Hoje faz três semanas, ás vezes eu não queria ter essa eximia memória, assim hoje seria só mais uma terça no calendário. Ainda lembro bem do momento da despedida, ver você se distanciando de mim sem olhar para trás, eu sussurrei a mim mesma que assim seria melhor, que isso era preciso e toda essas sentenças banais, mas na realidade eu não acreditava em nada disso. Afinal, como poderia ser melhor deixar alguém que se ama partir quando ainda se tem forças para lutar, eu ainda tinha aquela ingênua ilusão que poderíamos concertar as coisas, nos esforçar mais e fazer dar certo, mas nem tudo é tão simples quanto parece ser, quando um não quer, realmente dois não formam um casal.

Tua ausência ainda machuca, a saudade aperta o peito e a vontade de voltar no tempo é freqüente, mas conviver com essa realidade é preciso para deixar isso passar, abrir mão do sentimento dói, mas amar sozinho é bem mais sofrível. Deixar o tempo passar ainda é o melhor remédio nessas situações. O cigarro rapidamente se apagou com o frio da noite, as ondas quebraram na maré, o vento uivou mais forte, lentamente as lagrimas se desprenderam dos meus olhos, minha respiração estava densa, mas algo em minha mente dizia que isso um dia não ia mais doer, seria mais uma cicatriz. Quem sabe um dia a gente se encontre por aí, sorria um para o outro e sequer lembre que essa dor existiu, ou quem sabe um dia a gente se esbarre e pense “ eu podia ter feito tudo diferente” Seja como for é preciso deixar o passado passar, já lancei o cordão na areia, longe de mim, e deixo que o resto o tempo se encarrega de fazer.

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Published at : 15-06-2016
Category : Poetry and poems